Estamos vivendo uma era em que o toque da tela está substituindo o toque das mãos.
E, aos poucos, muitos casamentos acabam em silêncio, não porque o amor sumiu, mas porque a presença desapareceu.
O celular, que um dia foi ponte, virou muro.
Ele está ali, na mesa do jantar, entre duas pessoas que já se amaram com intensidade, mas que agora competem com notificações por um pouco de atenção.
Mas a culpa é só do celular? Da internet? Do digital?
Não, não totalmente.
Vou te contar como isso acontece, e falo com propriedade, porque já vivi um pouco disso.
Primeiro vem a vontade de se sentir parte.
Acompanhamos tantas vidas perfeitas, casais perfeitos, casas perfeitas, que acabamos querendo mostrar o mesmo.
Então começa a competição.
Logo depois vem a comparação.
Começamos a questionar as atitudes, as falas e até a forma como vivemos com quem está ao nosso lado.
E, sem perceber, abrimos espaço para a insatisfação.
As discussões se tornam mais frequentes.
E, ainda com o celular na mão, a gente percebe que não tem aquilo que vê nas telas, aquela vida que parece tão boa.
A distância cresce.
Homens e mulheres começam a achar mais interessante o mundo digital do que a vida real que têm juntos.
E aí, quando tudo está confuso, vem a pergunta:
O que é mais fácil: reprogramar as ações, reconectar-se de verdade, olhar nos olhos, ou simplesmente ir em busca do “amor perfeito” que vemos nas redes?
A resposta parece óbvia, né?
Buscar algo novo, melhor, parece mais fácil.
Mas o problema é que, enquanto estivermos olhando para o lado, comparando, desejando o que o outro tem, nunca vamos estar satisfeitos com o que temos.
E isso vale não só para relacionamentos, mas para toda a vida.
Não é sobre culpar o celular.
É sobre perceber o espaço que ele tem ocupado.
O espaço da escuta.
Do toque.
Da pausa.
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Se o amor está em crise, talvez não seja falta de sentimento, mas de presença.
Desligar o mundo, às vezes, é a única forma de se reencontrar.
