Houve um período na minha vida em que eu achava ser a juíza da internet.

Eu era o tipo de pessoa que olhava um vídeo ou uma foto e logo julgava os costumes, o caráter e a vida inteira daquela pessoa — tudo isso a partir de um único fragmento postado.

Eu não entendia que as redes sociais mostram apenas uma pequena parcela da realidade. A grande maioria mostra só esse recorte, e muitas das coisas que interpretamos a partir dele não fazem o menor sentido.

Se analisarmos direitinho, a forma como enxergamos e falamos das coisas e das pessoas reflete, na verdade, a nossa própria vida e jornada.

Já reparou que quando apontamos o dedo e julgamos a autenticidade e a segurança de alguém, isso escancara, de forma nua e crua, o quanto nos sentimos inferiores? Ou quando comentamos e criticamos as conquistas de alguém, o quanto isso revela o nosso próprio comodismo por não termos a disposição de ir atrás do que queremos? Tem também aquela situação em que uma pessoa comenta conosco que vai adquirir algo e, rapidamente, a fazemos questionar se ela realmente quer ou precisa daquilo.

No fundo, só queríamos ter o mesmo poder de compra naquele momento.

A verdade é que nosso comportamento sempre será o de julgar e apontar o dedo para o outro quando estivermos amargurados.

Quando deixamos de tentar ser juízes da internet, percebemos que a conquista do outro não é necessariamente exibicionismo ou ostentação (embora haja quem faça para se mostrar, de fato).

Vemos que a pessoa suou tanto por aquilo que é impossível não querer compartilhar e se sentir grata a Deus, tanto quanto a mesma.

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