Certa vez, eu estava com um grupo de pessoas em um momento no qual o calor e as emoções estavam à flor da pele. Uma fala minha foi o estopim para alguém ali. Rapidamente, a situação se descontrolou e direcionaram a mim palavras bem dolorosas, carregadas de mágoa.
Em outra ocasião, por causa do estresse de uma pessoa mais velha que não mede muito o que diz, ouvi algo que me desagradou profundamente — algo que não tinha nada a ver com o que eu considerava correto (e que, em tese, era o mais certo a se fazer).
No primeiro caso, para reagir, eu precisaria explicar muitas coisas e expor uma situação que muito provavelmente calaria a boca de todos naquele mesmo instante. Mas eu não estava disposta a colocar tudo na mesa. No segundo caso, eu precisaria gastar muita energia tentando fazer a pessoa enxergar pela minha ótica o que ela claramente não estava disposta a ver.
Então, calar, silenciar e não reagir foram as minhas escolhas mais inteligentes.
Não se explica, não se debate e não se argumenta com quem não quer entender ou com quem ainda não passou pelo que você passou para compreender.
Ninguém se torna empático de verdade até reconhecer a própria capacidade de ser destrutivo — ou até que a destruição chegue à própria vida.
Por isso, silenciar, na maioria das vezes, é a escolha mais sábia.
